segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DIREITO E POLÍTICA: UMA RELAÇÃO NA SOCIEDADE

“O homem é, por natureza, um animal político”. Há nessa célebre frase de Aristóteles um desdobramento que merece ser explicitado: por ser essencialmente um animal político, o homem também é um animal do direito. Ubi societas, ibi jus (onde há sociedade, há o direito). Os agrupamentos humanos que existiram e existem na atualidade articulam-se mediante preceitos jurídicos, sejam eles escritos ou provenientes dos costumes ou da tradição oral, estes últimos componentes do chamado direito consuetudinário.
Como animal do direito, o homem também cuida de estabelecer o caráter lícito ou ilícito das condutas e estabelece normas de convivência, as quais podem, ao longo do tempo, aperfeiçoar-se, extinguir-se ou permanecer quase que imutáveis. Nesse sentido, a vivência humana é marcada por instantes de argumentações, pelo estabelecimento de alianças e também pela ocorrência de rompimentos, momentos em que a particular tendência humana para a articulação política se evidencia.
Não é de hoje que os indivíduos apresentam a tendência de expor seus pensamentos e de empreender tentativas com vistas a fazer imperar suas vontades. E tal tendência apresenta-se em seu mais alto grau na atividade política, a qual envolve tomada de decisões que afetam intensamente a vida de toda a coletividade. A despeito disso, a política goza de grande rejeição por parte daqueles aos quais se destina precipuamente. A explicação mais racional para justificar esse descrédito é a de que ele decorre da utilização da política para a consecução de interesses particulares em detrimento do interesse público, que deveria ser o norte desse tipo de atividade. Assim, uma atividade que deveria voltar-se para a satisfação dos interesses da comunidade é utilizada para o favorecimento de interesses pessoais, fomentando comportamentos ilícitos, justificando a falsa idéia segundo a qual o envolvimento com tal fenômeno deve ser evitado.
Não somente a política é vista com descrédito por parte da sociedade. O direito, muitas vezes, é associado a uma construção voltada para o favorecimento de minorias em detrimento de uma massa de indivíduos que se vê privada do gozo de direitos fundamentais. A própria linguagem jurídica rebuscada, num país em que a maioria dos indivíduos é iletrada ou faz parte do elenco de analfabetos funcionais, fortalece esse histórico distanciamento dos indivíduos das instituições jurídicas.
De tais considerações, chega-se a uma conclusão paradoxal. Animal essencialmente jurídico e político, o homem constrói sua história a mercê da vontade de pequenos grupos, estando cada vez mais distante das discussões que dizem respeito à sociedade na qual ele está inserido. A perspectiva positiva é a de que se a política e o direito caminham juntos na estruturação das diversas sociedades, ambos também podem ser instrumentos de superação da injustiça neles vigentes, o que somente decorrerá da conscientização dos povos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muiro boa a proposta de teu blog. Parabéns, mais uma vez!